Audio Wizardry: Volume I
Hoje quero fazer um pequeno experimento. Quero escrever sobre as paradas que amo usar quando tô compondo músicas novas, seja no mundo digital (plugins VST) ou no hardware mesmo (pedais e instrumentos).
Tudo tem um começo
Nunca pensei muito no processo — isso inclui as coisas que eu gostava (e algumas que ainda amo) — até bem pouco tempo atrás.
No começo, só queria tocar e trocar ideia com outros músicos (isso foi lá por 2010-2014). Tinha um orçamento MUITO baixo pra basicamente tudo. A coisa mais cara que dava pra ter era a guitarra e o baixo, cada um em suadas prestações. Também toquei em um monte de Squier, Tagima e SX dessa época. Instrumentos honestos, especialmente as Squiers e Tagimas (da série Classic Vibe e Special/blues, respectivamente).
Pedal sempre foi caro e, honestamente, demorei bastante pra entrar nesse mundo. Nessa época eu tava tocando hardcore punk, um pouco de indie e brit rock, então a distorção era basicamente tudo que tinha necessidade. Fui de Black Flag, Ramones, Fugazi, Rancid, Kings of Leon, Oasis, Blur e umas outras bandas. A energia crua e a explosão tavam ali. Me viciei.
Amplificador no talo, o cabo direto na guitarra e a jam tava pronta pra começar. O equipamento que eu tinha nessa época era um velho Meteoro MGR-50 e um Demolodor 80 — o som era bem capenga, mas pelo menos era (mais ou menos) alto e dava pra se divertir, a distorção em si era HORRIVEL, mas pro punk rock qualquer coisa já é o dobro de nada.
Primeiras Descobertas
Conforme iamos tocando e até tentando compor algumas musicas, a necessidade de explorar texturas também ia surgindo, junto com o meu apreço por uma talvez desconhecida banda chamada Title Fight e seu maravilhoso disco Floral Green de 2012. Os caras eram praticamente o novo Nirvana mas com uma roupagem mais punk. Pedais de delay e choruses criando texturas hipnotisantes e ao mesmo tempo uma agressividade e angularidade incriveis. Eu meio que fiquei fissurado naquilo mas nem sabia muito o que era ou como chegava lá. Devia ter por volta dos 19 ou 20 anos ali nessa epoca e como de praxe, todo jovem Brasileiro ganha uns trocado da Vó no aniversario. Digamos que nesse aniversario eu tive a primeira epifania: Um pedal de Chorus da NUX.
A NUX é uma marca chinesa que faz várias coisas bem interessantes, e em sua grande maioria, equipamentos custo beneficio para mercados emergentes. o Chorus em questão é aquele amarelinho que encontra até hoje por aí. Inclusive, é um efeito que funciona modulando e atrasando o sinal da entrada e criando um efeito de ‘ondas’ ou como se estivesse flutuando no mar, quase dobrando o audio que está entrando. É meio maluco, e é muito massa! Uma das principais influencias para ter escolhido ele como pedal foi: Nirvana usava chorus pra caralho, o Title Fight também, e também ele custava mais ou menos o valor que eu tinha disponivel com o meu budget de quebrado.
Não preciso dizer que isso abriu precedentes pra outras cachaças e musicas que compus e seguem comigo até hoje. Principalmente Gregor Samsa e These walls have ears (Lear).
Logo após esse momento epifanico, consegui um trabalho em uma finada telecom na cidade e com isso tinha uma verba um pouquinho maior. Comecei a juntar um dinheiro pra aumentar o meu arsenal de instrumentos e aumentar os timbres que tinha acesso (e também pq era legal variar um pouco, vai). Toquei em mais um monte de instrumentos diferentes nessa epoca e conseguia ter um parametro razoavel pra distinguir instrumentos ruins pra instrumentos honestos e bons e também um juizo de valor aceitavel para o quanto as marcas poderiam influenciar no valor versus a tocabilidade bruta do instrumento. Também aprendi o valor de um bom luthier. É sério, levem seus instrumentos em um luthier, não vão se arrepender.
Novos Caminhos
O Ponto de virada numero dois veio na continuação da saga dos timbres e texturas a serem exploradas. Um certo tempo já tinha se passado e nessa altura do campeonato, eu já sabia mais ou menos o que os efeitos faziam e ocasionalmente explorava com algum pedal emprestado por um amigo, para saber o que podia funcionar e o que não podia, mas algo ainda me deixava curioso em relação as possibilidades. Acho que a essa altura, e levando em conta que tem o meu curriculo ali na outra aba, você já sabe que tenho afinidade com tecnologia e coisas pra frentex. Decidi comprar uma pedaleira e solucionar todos os problemas (imaginarios até então).
Uma semana depois os correios entregam a caixa com uma Zoom G1 Four. Um monte de efeitos, algumas simulações de amps, um looper e dava pra programar tudo e criar um monte de preset.
Cara, a primeira coisa que eu fiz foi apagar todos os presets de fabrica, depois disso eu fiquei sei lá, um mês criando preset do zero e explorando os timbres hahahaha. Foi sensacional a descoberta.
Nesse meio tempo em uma loja local acabei encontrando um pedal da Marshall com um valor bem ‘acessivel’, o famigerado Guv’Nor da segunda geração. Esse pedal tem o drive bem caracteristico da marca, numa linha meio JCM 800/900 porém tende a soar meio sem brilho dependendo do amplificador que usa ele.
Meu preset ‘de guerra’ era uma simulação de um small clone, um phaser e um delay analogico com bastante cauda, pra fazer aquela trilha igual em head in the ceiling fan. Com a distorção sendo sempre a primeira coisa na cadeia.
Essa pedaleirazinha foi responsavel por eu experimentar e criar tantas texturas e ter uma certa liberdade criativa que eu não consigo expressar gratidão o suficiente. Tenho até hoje ela como decoração na minha estante, onde descansa em paz depois de ter sido aposentada em 2022.
As menções honrosas que eu devo citar, sem levar em conta ordem especifica, é:
- Behringer SuperFuzz SF300 (Clone do Boss Hyperfuzz)
- Danelectro FAB Overdrive (overdrive barato e sujão)
E agora?
Vou encerrar por aqui a trajetoria deste post, no próximo post vou falar um pouco mais sobre o que eu tô curtindo faze nos dias atuais e também algumas demos :)
Por enquanto é isso
Valeu demais, continua arrasando 🤘- Matheus.